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BENNY GREEN - RUSSELL MALONE
  • Lugar: Grande Auditório da Culturgest, Lisboa, Portugal
  • Data: 5 de Maio de 2004
  • Hora: 21:30 horas
  • Lotação: Quase cheio
  • Músicos:
    Benny Green: piano
    Russell Malone: guitarra

Resenha - Reseña 

Portugués: João Aleluia

Español: João Aleluia - traducción: Diego Sánchez Cascado

  • Resenha: Anunciado a pouco mais de uma semana da sua realização, o concerto do duo Beeny Green/ Russell Malone quase passou despercebido na agenda jazzística lisboeta. Foi no entanto gratificante verificar que, apesar da deficiente comunicação, o público acabou por acorrer em massa, quase lotando o grande auditório da Culturgest.

    Não se anteviam grandes surpresas para este concerto, pelo menos para quem conhecesse estes músicos. E assim foi: prática de um jazz enraizado na mais pura essência do swing e do blues, repertório constituído essencialmente por standards, desdobrando-se nos tradicionais esquemas “tema-solos-tema”, enfim, tudo dentro dos parâmetros esperados...

    Mas contrabalançando esta mais que previsível orientação de índole estritamente clássica, o que de extraordinário se revelou nestes músicos foi o facto de terem preconizado uma abordagem plena de musicalidade e frescura, onde empatia e coordenação se prefiguraram como os vectores essenciais do que acabou por ser uma performance coroada de êxito.

    Nada aqui soou a falso. Num formato que configura uma dificuldade adicional – a ausência de uma bússola rítmica omnipresente – Benny Green e Russell Malone foram dois músicos que se encaixaram de forma perfeita, explorando da melhor maneira a quase telepática capacidade de se adivinharem mutuamente, mesmo as mais subtis inflexões.

    Benny Green foi igual a si próprio. Na senda de um Oscar Peterson (a sua mais evidente influência), o traço mais característico deste pianista é a natural inclinação para o virtuosismo, embora aqui jamais assumindo o sinónimo de extravagância ou exibicionismo, ideia esta que em certa medida transparece de um ou outro dos muitos registos onde pontifica. Russell Malone, não sendo um virtuoso como o seu companheiro, revelou por seu lado um total domínio da forma, o que lhe permitia as mais eloquentes elucubrações solísticas. Em conjunto, pianista e guitarrista formaram uma máquina perfeitamente oleada, cuja produção musical não se fundou apenas no mecanismo mas também na intuição, nunca colocando em xeque a espontaneidade e natural inclinação para o improviso.

    Em síntese, foi uma performance extremamente convincente, onde dois mestres dos respectivos instrumentos se exibiram a alto nível, e aos quais o público soube corresponder com a devida e merecida retribuição.

    João Aleluia

  • Comentario: Anunciado poco más de una semana antes de su realización, el concierto del dúo Benny Green/Russell Malone casi pasó desapercibido en la agenda jazzística lisboeta. Sin embargo, resultó gratificante comprobar que, pese a la deficiente comunicación, el público terminó por acudir en masa, llenando casi el gran auditorio de la Culturgest.

    No se aguardaban grandes sorpresas para este concierto, al menos para quien conociese a estos músicos. Y así fue: practicaron un jazz enraizado en la más pura esencia del swing y del blues, con un repertorio formado esencialmente por standards, desdoblándose en los tradicionales esquemas “tema-solos-tema”, en definitiva, todo dentro de los parámetros esperados...

    Pero como contrapeso a esta más que previsible orientación de índole estrictamente clásica, lo que se reveló extraordinario en estos músicos fue el hecho de preconizar un enfoque lleno de musicalidad y frescura, en el que la empatía y la coordinación se establecieron como los vectores fundamentales de lo que terminó siendo una actuación coronada por el éxito.

    Nada sonó falso. En un formato que supone una dificultad adicional –la ausencia de una brújula rítmica omnipresente- Benny Green y Russell Malone fueron dos músicos que se conjuntaron de forma perfecta, explorando de la mejor manera la casi telepática capacidad de adivinar lo que hacía el otro, incluso las más sutiles inflexiones.

    Benny Green fue igual a sí mismo. En la senda de un Oscar Peterson (su influencia más evidente), el rasgo más característico de este pianista es la natural inclinación hacia el virtuosismo, aunque nunca asumido como sinónimo de extravagancia o exhibicionismo, idea esta que, en cierta medida, se manifiesta en alguno de los otros muchos registros que desarrolla. Sin ser un virtuoso como su compañero, Russell Malone demostró por su parte un total dominio de la forma, lo que le permitía las más elocuentes elucubraciones solistas. En conjunto, pianista y guitarrista formaron una máquina perfectamente engrasada, cuya producción musical no se basó únicamente en el mecanismo sino también en la intuición, sin poner nunca en jaque la espontaneidad y la natural inclinación hacia lo imprevisible.

    En resumen, fue una actuación sumamente convincente, donde dos maestros de sus respectivos instrumentos mostraron un alto nivel y a los que el público supo corresponder con la debida y merecida recompensa.

    João Aleluia Traducido por Diego Sánchez Cascado